Gabriela Natália da Silva era uma estudante universitária igual a tantas outras, quando decidiu virar a sua vida do avesso.
Primeiro escolheu o “nome artístico” Lola Benvenutti e as primeiras experiências como prostituta aconteceram quando ainda frequentava a faculdade. “Começou por ser uma brincadeira. Achava divertido sair com os caras e conhecer gente na internet. E passei a cobrar muito naturalmente. Eu queria saber se eu tinha esse nível de poder com os homens. Aí, quando eles pagavam, eu pensei: ‘Caramba, eu transo e ainda me pagam!’”, contou.
Ficou famosa quando deu uma entrevista ao portal de notícias da Globo, o G1, na qual contou que tinha escolhido a profissão de prostituta porque gostava do que fazia. Esta afirmação chocou muita gente, que a acusavam de ter dito isto para ter mais fama, visibilidade e clientes.
Atualmente é muito mais que uma prostituta. “Passei a ser mais que uma puta. Era uma empresa”. Por isso, viu-se inclusivamente forçada a contratar uma equipa, constituída por um segurança e uma gestora do blogue. Em O Prazer é Todo Nosso – editado em Portugal em Março último, pela Guerra e Paz – Lola relata episódios reais de BDSM e ménage à trois que viveu tanto com homens como com mulheres, sem qualquer tipo de pudor nem arrependimento, e descreve as situações que mais a surpreenderam. A prostituição, diz, foi uma maneira importante de conhecer a humanidade. “Vi muita tristeza, sofrimento, fragilidade e também muito amor! Vi o lado mais frágil das pessoas. Se eu dissesse que metade do programa era passado a conversar, ninguém acreditava”. Embora recentemente tenha desistido da prostituição para voltar a estudar, Gabriela continua a servir-se da arte da escrita para afirmar que a culpa não tem lugar na maneira como cada um sente prazer. E já está a trabalhar no seu segundo livro e no guião de adaptação para cinema.